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Como trabalhar com cartela de cores para pele negra

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Falar sobre coloração e cartela de cores para pele negra é instantaneamente caminhar para um questionamento sobre o que é ser negro, e quando percebemos que estamos falando de pessoas que são racializadas em função de sua epiderme, nos conscientizamos que é leviano abordar a estética negra sem antes considerar toda a trajetória histórica e cultural que corroboram com a construção do entendimento de beleza negra nesse país. 

Para começar, ter um posicionamento antirracista é primordial para a condução assertiva da coloração pessoal, isso porque o racismo pode permear todas as etapas do teste. 

Ter conhecimento dessa realidade irá ajudar você a se conectar com seu público sem reforçar estereótipos ao promover os seus serviços, realizando um atendimento que auxilie sua cliente na construção da autoimagem e estando atenta a possíveis falas, posturas e condutas que não só podem ofender, como também serem consideradas criminosas. 

Sem contar que esse conhecimento pode evitar que você indique uma cartela de cores errada, por não perceber ou conhecer a diversidade estética negra dentro dos métodos de análise de coloração.

Saiba mais sobre a cartela de cores para pele negra

No método sazonal expandido, avaliamos contraste, profundidade, temperatura e saturação de cores. E o mesmo processo ocorre quando trabalhamos na elaboração de uma cartela de cores para pele negra. 

Ainda existem muitas dúvidas e mal entendimentos, atribui-se até um certo ar de dificuldade maior para atendimentos em peles negras, o que não é bem verdade. 

Nenhuma pele é mais ou menos difícil de avaliar, o que muitas vezes se dá é uma falta de preparo adequado, pois embora venhamos analisar as mesmas orientações (contraste, profundidade, temperatura e saturação) é necessário reconhecer que peles negras possuem suas características e singularidades distintas. 

Por isso, é importante conhecer que temos um valor de contraste baixo, médio e também alto para belezas negras. 

Nas avaliações de temperatura, as peles negras não são limitadas em serem quentes ou olivas. Existe também a possibilidade de serem neutras quentes, frias, neutras frias e também intermediárias, segundo os estudos de Jean E. Patton, o qual não utiliza o método sazonal, mas busca as mesmas características e acrescenta valiosas informações, sendo referência para peles negras por conta de sua obra “Color to Color”. 

Ao analisarmos as profundidades, atentar-se que como resultado de um projeto político de higienização e limpeza social no país, não podemos considerar como negras apenas as peles retintas, logo é perfeitamente possível encontrar belezas negras em cartelas de verão por exemplo. 

Nas percepções de saturação, não menosprezar a vivacidade de algumas peles quentes é fundamental para não enquadrar como outonal uma pele primaveril.

Portanto, ser antirracista, abraçar as diversidades e estudar técnicas de atendimento que contemplem a beleza negra com todas as suas características e singularidades, configura um profissional ético, capacitado, completo e preparado para as novas demandas de um mercado crescente e cada vez mais exigente. E mais do que isso, trata-se de ser um agente de mudança. 

Aqui na Ecole, o “Curso sobre Coloração Pessoal: Belezas Negras”, visa oferecer uma abordagem completa, desde a etapa de atendimento, passando pelo teste de cores e também pelas orientações quanto às maquiagens, enriquecendo sua metodologia de trabalho e, por consequência, promovendo um mercado de consultoria de imagem mais representativo e comprometido com a ética da diversidade estética, bem como com uma conduta antirracista na moda. 

Texto: Liliam Reis 

Professora da Ecole Brasil

2 comentários em “Como trabalhar com cartela de cores para pele negra
  1. Perfeita colocação. Temos que desconstruir pré definidos sobre a pele negra e entender que ela permeia todas as sazonalidades de coloração. Parabéns!!! 👏🏾👏🏾👏🏾👏🏾

  2. Excelente artigo da Professora Liliam Reis! Nunca li um texto que abordasse um assunto tão difícil e que é tão carregado de vivências dolorosas pra nós negras de maneira tão objetiva e pontuando que é preciso que as profissionais necessitam se capacitar para não reproduzirem os racismos estruturais

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