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Colorimetria da pele, acromia preta e a coloração pessoal

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Vamos conversar sobre colorimetria da pele, acromia preta e coloração pessoal?

É sabido que preto, em teoria da cor, configura uma acromia que designa a escuridão. Ela tem não só uma característica de profundidade, mas também de temperatura. Trata-se de uma acromia fria. 

Como a saturação é uma propriedade das cores (se retirarmos a saturação de uma imagem colorida, por exemplo, ela é apresentada em escala de cinza), tal acromia não tem uma saturação. Ainda assim, os materiais utilizados nas roupas, calçados, acessórios e cosméticos podem configurar saturações intensas ou opacas à acromia preta.

A aplicação da acromia preta nas estações do método sazonal expandido

As características que definem a acromia preta (fria, escura e intensa/ou opaca) a tornam presente em estações específicas do método sazonal expandido. Vejamos:

  • No outono escuro ela se aplica por conta de sua característica de  profundidade e também porque a estação se correlaciona com o inverno escuro. Seu uso é indicado, portanto, com moderação, já que se trata de uma acromia tipicamente invernal. A saturação deve ser preferencialmente opaca, uma outra propriedade do outono. Mas pode também ter uma leve intensidade, também em vista da estação coadjuvante;
  • No inverno escuro seu uso é irrestrito, com ressalva apenas para a saturação, que deve ser preferencialmente intensa. Mas pode ser também suave, já que a estação coadjuvante é o outono escuro; 
  • No inverno frio é onde a acromia se faz mais presente, pois aqui temos as características de temperatura totalmente fria e valor escuro. A saturação, neste caso, seguindo as propriedades da estação, deve ser sempre intensa;
  • No inverno brilhante também temos a indicação da acromia preto, embora a temperatura da estação seja neutra fria, pois ela atende ao valor escuro que o inverno possui. Pela principal característica que rege tal estação, sabemos que a intensidade da acromia aqui deve ser elevada ao máximo;
  • Por fim, na primavera brilhante também é indicado, com moderação, o uso de tal acromia. Trata-se de uma estação correlacionada com o inverno brilhante, que permite profundidade. Novamente destaca-se o uso de uma saturação intensa.

Mesmo sabendo que a acromia preta tem seus indicativos em termos de cartelas de cores, a Ecole Brasil defende que o uso do preto não precisa ser restrito às pessoas que não pertencem a essas estações. Os efeitos que a acromia pode trazer para a construção da imagem, como elegância, formalidade, poder, força e mistério, podem ser estratégicos. 

Ademais, esta é considerada uma “cor neutra”, muito comumente usada. Não faz sentido, sob a perspectiva da escola, erradicá-la da vida das pessoas meramente por conta de um resultado de um teste de coloração pessoal e colorimetria da pele.

Acromia preta é uma coisa, pele retinta é outra

Agora, vamos nos referir à colorimetria da pele retinta. O referencial teórico muda e as características da acromia preta não servem de embasamento. Vamos considerar, então, outras características. Veja:

  • Toda pele retinta tem significativa produção de melanina e a melanina é subdividida em fenomelanina e eumelanina;
  • Quando há mais fenomelanina, o subtom da pele tem um aspecto mais avermelhado ou amarelado, ou até mesmo oliva;
  • Quando há mais presença de eumelanina compondo o subtom dessa pele, o aspecto da mesma é de um marrom mais frio ou até mesmo preto;
  • Tudo isso se soma à ação do caroteno sob a pele e culmina no resultado de peles de temperaturas diversas.

É, portanto, muito importante que saibamos não correlacionar as características que definem a acromia preta com as características das peles. Tal acromia é de fato restrita em termos de temperatura e profundidade, mas o mesmo não acontece no segundo caso.

Expandindo nossa visão sobre coloração pessoal, colorimetria da pele e belezas negras

As belezas negras podem contemplar temperaturas, profundidades e intensidades múltiplas de pele. Se tornar negro consiste em um processo de racialização cultural e, portanto, não se restringe a ter uma pele retinta. Nesse sentido, é fundamental que saibamos expandir nossa visão sobre coloração pessoal, colorimetria da pele e belezas negras, enfatizando que:

  • Não há somente belezas negras de peles escuras. Essa demarcação é crucial para o desenvolvimento assertivo dos testes de coloração em belezas negras. Tais belezas são múltiplas e, portanto, de diversos tons de pele. Não sejamos reducionistas;
  • Quando falamos de coloração pessoal para belezas negras, em alguns casos, a temperatura da pele não é um fator decisivo para distinguir as cartelas de cores para pele negra, como apontado por Jean E. Patton em seu livro Color to Color.

Curso de coloração pessoal e belezas negras acontece em outubro

Os estudos sobre colorimetria da pele, coloração pessoal e belezas negras serão abordados na segunda turma do curso ministrado pelas professoras Liliam Reis e Luiza Oliveira, que ocorrerá nos dias 13, 20 e 27 de outubro, inteiramente online, sempre de 20:00 até 22:00. Nele serão trabalhadas as proposições da autora Jean E. Patton, responsável pela publicação do livro Color to Color, inteiramente focado na temática em questão. Além da coloração pessoal, há orientações diversas e de grande relevância para uma conduta antirracista nos atendimentos da área.

Texto: Liliam Reis e Luiza Oliveira

Professoras da Ecole Brasil

A Ecole Brasil é uma escola de cursos e formações na área de imagem pessoal, psicologia de autoimagem, morfologia, visagismo e empreendedorismo! Entre em contato e entenda nosso propósito inovador

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