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Será que é possível transformar a autoimagem ou a forma de enxergá-la?

Você já se perguntou como construiu sua autoimagem e qual foi sua relação com ela ao longo da vida? Confira nossas reflexões no blog da Ecole Brasil:

Sabemos que a autoimagem é a visão que temos sobre nós mesmos, incluindo a nossa imagem corporal e o nosso eu ideal (aquilo que gostaríamos de ser).

Essa imagem se transforma? Ou seja, ela se modifica ao longo da nossa vida? Será que as diferentes fases e mudanças que passamos, tanto nas nossas relações como no nosso corpo influenciam a forma como nos vemos?

Siga a leitura do artigo para saber mais!

Como constrói-se a autoimagem

Podemos nos ver de formas diferentes a partir das experiências que vivenciamos, escolhas que fazemos e questões que enfrentamos ao longo da vida. Isso afeta também a nossa autoestima. Nosso núcleo familiar e de convívio, a cultura e a sociedade que fazemos parte também acabam possuindo um grande papel nesta influência. Isso ocorre a partir dos conceitos e valores que vamos internalizando e reproduzindo, incluindo os padrões estéticos, estereótipos e preconceitos.

Nossa autoimagem começa a se desenvolver no projeto que nossos pais possuem em relação a nós. Ou seja, já no processo de gestação ocorre uma espera do filho que vai nascer, projetando e idealizando como gostaria que ele fosse e quais escolhas ele faça. Mesmo os pais que dizem desejar um filho “saudável e feliz” estão esperando algo dele ainda que nas entrelinhas.

Quando nascemos somos inseridos em uma família e temos que nos deparar com expectativas anteriores e que vão fazer ou não parte do nosso projeto. Em um primeiro momento, normalmente acabamos aceitando facilmente essa imagem para que depois possamos revê-la.

Adolescência: período essencial de construção da autoimagem

Na adolescência, com a puberdade e mudanças corporais, buscamos com mais entusiasmo saber quem somos ou que imagem queremos construir. O grupo de amigos e colegas passa a ter mais importância que a família. Além disso, pertencer a este grupo passa a ser primordial no desenvolvimento de um estilo pessoal e de identificação a partir das roupas, gosto musical e encontros sociais.

O adolescente  se desenvolve a partir desta semelhança com os colegas e ao mesmo tempo pode se diferenciar dos pais. Assim, pode apresentar atitude contestadora e reivindicatória em relação aos valores, regras e até mesmo as expectativas que lhe foram transmitidas.

Esse processo é importante posteriormente na escolha profissional e na imagem do adulto jovem depois no ambiente de trabalho. Nessa fase é onde ele passa também a se colocar e se diferenciar do grupo de amigos.

Fazer escolhas neste período da adolescência até se tornar um jovem adulto, é se deparar entre renunciar a imagem do que esperam dele e trilhar a imagem de quem ele realmente é e quer ser.

Vida adulta: como está minha imagem pessoal?

Na maturidade esperamos uma autoimagem mais fortalecida, que pode desempenhar vários papéis em sua forma de ser e se colocar. Mesmo que isso muitas vezes não atenda as expectativas do meio com o qual nos relacionamos.

Este conflito entre o que esperam de nós e o que somos, desejamos ou podemos ser é permeado o tempo todo pela cultura. Aqui entram os padrões estéticos e estereótipos.

Pensemos na mulher como exemplo. Temos nos deparado com a imposição de uma imagem de alguém que queira ser e seja uma boa mãe, dentro dos padrões de corpo, comportamento sexual, boa profissional, que cuida dos filhos, da casa, sempre vaidosa e bem vestida, que não envelhece…

Os padrões vão se colocando em diversos contextos permeando também o próprio processo de envelhecimento. A imagem em relação ao gênero, a idade, a classe social, a profissão… Vivemos uma luta constante que também pode ser uma transformação constante.

Estamos sempre escolhendo, às vezes negando uma imagem e expectativa, às vezes aceitando ou lutando para mudar padrões, se construir e ser visto de outra forma, em outros contextos e novas possibilidades como forma de nos colocarmos e nos vermos de maneiras diferentes também das que nos são impostas e limitadas.

Texto por Eliza Guerra, CRP 06/106705 Psicóloga Clínica & Professora no curso de psicologia da autoimagem.

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