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Mulheres negras inspiradoras: reflexões sobre premiações do Oscar 2021

Conheça duas mulheres negras inspiradoras que foram premiadas no Oscar 2021 e confira reflexões sobre espaços de reconhecimento e consultoria de imagem.

Vamos conversar sobre as mulheres negras inspiradoras que tiveram destaque no Oscar 2021?

Chegamos neste ano com muitas dificuldades e anseios, recebemos notícias tristes, mas também muitas outras maravilhosas, como o caso das hairstylists Mia Neal e Jamika Wilson, que foram as primeiras mulheres negras a ganharem o prêmio de “Melhor Maquiagem e Melhor Penteado” no Oscar!

homem e duas mulheres negras inspiradoras segurando estatueta do oscar
Vencedores da Categoria Melhor Maquiagem e Penteado do Oscar 2021: Mia Neal, Jamika Wilson e Sergio Lopez Rivera. Foto retirada do site www.vogue.globo.com, com créditos da Getty Images.

É curioso pensar que elas também são as primeiras mulheres pretas que tiveram a possibilidade de concorrer ao prêmio, e também, é primária a validação de uma personagem ganhando pela qualidade de um trabalho estético como tal, apresentado sob traços negróides, em um evento com mais de 90 anos.

Com tamanho simbolismo de tudo que ocorreu na noite de domingo, 25/04, no maior evento de cinema do mundo, o discurso de agradecimento proferido por Neal falou sobre normalizar mulheres negras em premiações e se utilizou da analogia do “teto de vidro” para ilustrar o que já havia sido denunciado por Viola Davis em seu recebimento na edição anterior.

Mulheres negras inspiradoras e espaços de reconhecimento

Motivada por todo burburinho necessário em Los Angeles, gostaria de chamar sua atenção sobre o “teto de vidro” que nós, consultoras de imagem, profissionais da moda e estética, fortalecemos quando não pensamos em uma moda disruptiva e descolonizada.

A máxima do “teto de vidro” exemplifica a limitação de mulheres, sobretudo as mulheres negras nos espaços de reconhecimento.

Pense que existe uma espécie de escada do sucesso, e que no pé dessa escada é possível visualizar os últimos degraus, e que “no topo do sucesso” existe um homem branco, cis, hetero que diz: “É só se esforçar um pouquinho que em breve poderemos dividir com igualdade o lugar que eu ocupo hoje”.

Dada a largada, as mulheres da base passam a se esforçar como podem para chegarem ao topo que visualizam, contudo, ao longo de suas jornadas se deparam com um fator até então despercebido, o “teto de vidro”, que lhes permite ver o topo da escada, mas não transitar livremente por ela.

Vale salientar que Hattie Mcdaniel, primeira pessoa negra a ganhar uma estatueta no Oscar (1940), foi também a primeira mulher negra a entrar no salão como convidada.

Ainda assim, foi necessário uma autorização especial e um “lugar reservado para gente de cor”, já que no prédio em questão tinham regras explícitas que proibiam a entrada de pessoas negras.

Belezas negras: a expressão “teto de vidro” na consultoria de imagem

O que eu quero lhe falar com isso hoje, é que o “teto de vidro” pode se apresentar de maneira invisível, como quando ao estudar belezas latinas não há equidade entre representantes negras ou indígenas, ou que quando você, Consultora de Imagem, ao divulgar seus produtos e serviços, não inclui mulheres retintas como belezas possíveis, ou ainda possui uma noção de beleza “exótica” para mulheres que apresentam traços negroides menos evidentes, conseguindo então passar pelo crivo do seu “senso estético”.

Fora o apagamento dos saberes não eurocentrados na moda.

Já se perguntou alguma vez, quantos livros você tem na estante que não foram escritos por mãos brancas?

Mas não para por aí, além desse lado “transparente’’ das barreiras que a consultoria de imagem colonizadora impõe, temos os limites físicos e altamente traumatizantes que uma proposta vendida como “ caminho para o autoconhecimento” pode se transformar por não ter uma conduta moral/ética firme.

A começar por pequenas sugestões de adequação de imagem, que desconsidera os modos de ser de cada beleza negra, que muito embora seja aliançada pela doloridade, é plural e diversa.

E chega às limitações mais extremas com noções de dresscode excludentes, metodologias de trabalho que “na melhor das intenções” ridiculariza e constrange sua cliente, que busca se encontrar em referências ancestrais.

Não cabe em apenas um artigo todas as minhas denúncias, mas te convido a fazer da imagem a construção de novas realidades, buscando aprofundamento sério e comprometimento com as temáticas raciais, em um curso desenvolvido por mim para a Ecole Brasil, com primeiras edições agora em maio. Te espero lá!

Texto: Liliam Reis

Professora na Ecole Brasil

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