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Entenda o que é slow living e sua relação com a moda

Confira este post de blog da Ecole para entender o que é o movimento slow living e qual é a sua relação com a moda.

A fim de se contrapor ao frenético fluxo de produção e o consumismo que tanto tem prejudicado o planeta e a nós mesmos, os movimentos "slow", em especial o slow living, surgem para botar um pouco dos nossos pés no freio.

Os movimentos sociais não surgem por acaso, eles são criados por pessoas que, insatisfeitas com alguns aspectos do mundo e / ou da sociedade, praticam ações que visam promover mudanças.

Ao passo que mais pessoas vão se identificando com as causas, os movimentos ganham força.

Apesar da palavra “slow” significar "devagar", os movimentos “slow” não defendem apenas que as coisas sejam feitas de forma mais lenta.

Eles buscam convidar as pessoas a repensarem sobre seus hábitos e estilo de vida, a fim de que elas vivam com melhor qualidade.

Slow movement, slow food, slow fashion, slow work, slow travel, slow beauty, slow aging, slow living, etc.

O termo “slow” está sendo aplicado em inúmeras vertentes. E isso nos mostra que as pessoas estão querendo e precisando desacelerar.

Consumismo e ansiedade

Não é por acaso que a ansiedade é o mal do século. Está tudo muito mais rápido do que estávamos acostumados (como sociedade) até poucos anos atrás.

As coisas estão muito mais descartáveis e insustentáveis. Seja por estar aos poucos destruindo o planeta ou por fazer parte de um sistema dominante que é insustentável, quem paga por isso somos nós mesmos.

E muitos de nós caímos no meio do furacão sem nem entender o que estava acontecendo.

Quando nos demos conta, estávamos presos a esse ritmo frenético de produção e consumo, e a ansiedade já fazia parte da nossa rotina.

E o pior: parece que se não acompanharmos esse ritmo, corremos o risco de ficarmos desatualizados, ou de ficarmos para trás. Porque além disso tudo, ainda temos o senso de competição intrinsecamente instalado nas nossas mentes.

Talvez não seja fácil desafiar o fluxo ao qual estamos acostumados, sair do piloto automático e ousar viver de forma mais tranquila.

Mas depois de compreender a gama de benefícios que os movimentos “slow” buscam promover em escalas individuais e sociais, o jogo vira.

Entenda o que é o movimento slow living

O slow living surge como uma filosofia relacionada ao comportamento e aos ritmos de produção e consumo dos indivíduos, propondo que observemos e nos inspiremos no ritmo lento e suave da natureza.

E quando falamos em natureza, muitas vezes esquecemos que fazemos parte dela.

Podemos, então, começar observando os nossos próprios ritmos, como um bom exercício de autoconhecimento.

Praticar slow living é nos conectarmos com nós mesmos, com a nossa essência, desconectando um pouco das ilusões que o mundo contemporâneo promete.

mulher de braços abertos no campo movimento slow living
O autoconhecimento é um dos princípios do slow living.

É desacelerar, mas não no sentido de ser mais devagar - e sim de fazer o que você quer e precisa fazer com atenção plena, compreendendo qual é o real valor das práticas e atividades na sua vida.

Dessa forma, desacelerar pode inclusive torná-lo mais produtivo.

E não esqueça: mudanças significativas de hábitos não acontecem do dia para a noite.

Tão importante quanto começar, é persistir. Venha sem pressa!

Vida essencialista

Você já deve ter ouvido falar que as nossas casas são como um reflexo de nós mesmos.

A forma como mantemos a nossa casa limpa e organizada - ou não - pode ter relação com o nosso estado de espírito, ou como estamos levando a vida em determinados momentos.

E como seres complexos e dinâmicos, não é exatamente fácil manter a casa (ou a vida) organizada o tempo todo.

O interessante é que, ao organizarmos a nossa casa, temos a sensação de estar organizando a nossa mente também.

Como se fosse um "basta, vou dar um jeito na minha vida". Quem nunca olhou para aquele canto cheio de coisas e ficou, consciente ou inconscientemente, ansioso com aquele acúmulo desnecessário?

Limpezas são constantemente necessárias na nossa vida.

Sabe aquelas peças que você não usa há mais de dois anos? Ou aquelas peças que não servem mais, mas que você carrega esperança de um dia voltar a usá-las? Ou ainda, aquelas peças que nem tem mais a ver com o seu estilo, mas pela qual você ainda sente um apego emocional? Elas te trazem que tipos de sentimentos?

A nossa relação com as roupas é uma questão bastante interessante de se observar.

Elas dizem muito sobre nós - mas não no sentido de "o que você veste te define", longe disso.

A moda está aí para que possamos expressar quem somos, e espertos os que usam isso ao seu favor.

A moda está longe de ser um tema superficial, pois é uma poderosa ferramenta de comunicação, além de ser uma significativa representação material e subjetiva das esferas sociais, culturais, políticas e econômicas de cada momento das sociedades.

Observando a aceleração que estamos vivendo no mundo, fica fácil de entender porque as empresas têm produzido e as pessoas têm consumido roupas com maior frequência e em maior escala.

As tendências da moda mudam em poucos meses. As grandes marcas lançam coleções novas a cada duas semanas. E isso está longe de ser sustentável, acarretando em problemas que permeiam diversos patamares dessa indústria.

Slow fashion e slow living

Enquanto o slow fashion, aborda reflexões relacionadas à indústria da moda, à cadeia de produção e o ciclo de vida das peças, a questão da moda no slow living aborda uma visão mais íntima e pessoal do processo.

Independente se você comprar roupas de alguma marca autoral ou de alguma grande rede de fast fashion, é muito mais sobre a sua relação com as roupas, se você comprou porque realmente precisava ou se foi para tentar preencher alguma lacuna, alguma ansiedade ou alguma dependência.

As roupas que vestimos suprem diversas necessidades, entre elas: fisiológicas, sociais e de realização pessoal.

Além de cobrir e proteger nossos corpos, as roupas também nos permitem expressar um pouco da nossa personalidade ao mundo.

As roupas estão aí para nos auxiliar, não para nos aprisionar. E para melhorar a nossa relação com as roupas, o autoconhecimento também é fundamental.

Acesse o link a seguir para saber mais sobre roupas que valorizam o corpo.

Entendendo melhor sobre quais são as principais funcionalidades das roupas para o nosso dia a dia (conforto, estilo, praticidade), identificando quais são os nossos objetivos de imagem pessoal para diferentes momentos da nossa vida (comunicar credibilidade, criatividade ou sensualidade, por exemplo) e compreendendo quais elementos têm mais a ver com o nosso estilo pessoal (cores, tecidos, estampas), fica mais fácil de manter um guarda-roupa inteligente, funcional e sustentável, que esteja ao seu favor e que represente quem você é. Sem pressões sobre como você acha que "deveria ser".

Confira no link  a seguir 5 segredos de como renovar o guarda-roupa de forma simples.

Assim como você planeja sua vida, identificando quais são as suas prioridades e objetivos para determinados momentos, você pode fazer o mesmo para aprofundar e aprimorar a sua relação com a vestimenta, se empoderando de quem você é e não caindo em pressões impostas pela sociedade.

Quando você fizer uma nova limpa no seu armário, busque identificar como cada peça faz você se sentir.

Se ela fizer sentido para você, se você usa e ama ela, vale a pena mantê-la no ambiente sagrado que é a sua casa.

Se ela lhe provocar sentimentos confusos, dos quais você deseja se livrar, pode ser uma boa hora para praticar o desapego.

O acúmulo de itens desnecessários na nossa casa e na nossa vida com certeza mais atrapalha do que ajuda.

Apesar das dicas, nada disso é regra.

O slow living busca propor justamente o contrário de impor regras ou fórmulas.

Esse movimento nos convida a levar a vida de forma mais leve, sem pressões nocivas que geram ansiedades.

E para isso, o autoconhecimento, o planejamento e o desapego são grandes aliados.

Texto: Graciela Lech

Relações Públicas e Mestre Internacional em Negócios